Os contos de fadas

A criança gosta de ouvir histórias, tem preferências de acordo com o que sente no momento, escolhe personagens que se identifica e vive tornando-se parte do enredo. Quando a criança interage com as personagens facilita as projeções e identificações.  

Os contos trazem a sua explicação e significados nos temas e o arteterapeuta pode estabelecer uma relação entre o conto e o consciente da criança que ouviu. Na vida não existe só plenitude, todos passam em algum momento por obstáculos, angústias, medos, frustrações, até monstros aparecem e se torna significativo tomar conhecimento se colocando diante deles. Os contos podem fortalecer o ego e oferecem um caminho para enfrentar conflitos ao passar uma situação difícil. 

No momento certo, um conto pode dar uma nova visão e provocar transformações, elimina conteúdos internos que precisam ser liberados. É um recurso repleto de simbolismo, o ouvinte entra em contato com imagens arquetípicas como heróis, príncipes e bruxas. 

“O conto fala verdades sobre o modo de o ser humano viver, pensar, sonhar, desejar ou simplesmente ser. Fala de seus complexos, dificuldades de relacionamento, seus ciúmes, preguiça e orgulho; do relacionamento entre irmãos, entre pai e filha, pai e filho, mãe e filha e mãe e filho. Fala da tendência de seguir mais a razão do que o coração, da falta de atenção com sua vida animal e instintiva. Mas nunca fala de modo absoluto: assim é e sempre será! O conto sugere, dá possibilidade a quem o escuta de criar as suas próprias imagens a respeito do conto.” (BONAVENTURE, 2010, p.25).

Assim, o significado do conto será diferente para cada pessoa e para mesma pessoa em diferentes momentos de sua vida. A criança, por exemplo, irá compreender com significados diferentes o mesmo conto de fada, dependendo da sua necessidade e capacidade de compreensão no momento. Tendo oportunidade, voltará ao mesmo conto quando estiver pronta para ampliar os velhos significados ou substituí-los por novos. Tornando-se mais claros para a criança as imagens se modificam e novos símbolos aparecem permitindo ver o que antes não vislumbrava.

Aline Souza – Neuropsicopedagoga e Arteterapeuta

Referências:

BONAVENTURA, Jette. Porque os contos populares falam a todos? In SPACCAQUERCHE, Maria Elci Barbosa (Org.). Encontros de Psicologia Analítica. 2. ed. São Paulo; Paulus, 2010. 

BRANCO, Sonia; MEDEIROS, Adriana. Contos de fada: vivências e técnicas em arteterapia. 2. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2012.

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