Sexualidade infantil

Num grupo de estudo de Jung em que participo, abrimos a discussão acerca da sexualidade infantil e para fundamentar usamos o texto “A teoria da sexualidade infantil” do livro: Freud e a Psicanálise de C.G. Jung.

Muito ouvimos falar da teoria de Freud, dos comentários e senso comum como Freud explica, ou de coisas que acontecem ou são expressadas pela pessoa em que a explicação é o excesso ou falta da sexualidade. Quando veem aqueles desenhos feitos por crianças, numa visão freudiana levam interpretações fálicas e por sua vez ligadas às questões sexuais, enfim, Freud coloca os prazeres infantis como impulsos da sexualidade.

Para Jung as funções psicológicas acerca da teoria da sexualidade infantil estão relacionadas aos fenômenos fisiológicos do ser humano. A sexualidade já existe desde o começo (ab ovo) e só se manifesta muito tempo depois da vida extrauterina.

Acredita-se que o instinto de conservação da espécie ou impulsos da sexualidade, comece a se desenvolver nos primeiros anos da infância, junto com os órgãos de reprodução, função fisiológica, sem que ainda perceba a futura função. Assim, pode-se dizer que o desenvolvimento da sexualidade, a descoberta, o momento em que se aflora e se vive as primeiras experiências com o corpo não se inicia somente na puberdade como ouvimos dizer.

Diferente de Freud, Jung não considera o prazer de nutrição como função sexual, isso pode ser visto pela projeção do adulto para a criança. O ato de chupar da criança lhe dá prazer, mas não necessariamente pertence à esfera sexual e sim mais uma vez ao prazer de nutrição, que lhe pertencem a forma e o lugar em que se tem o prazer.

Esse tipo de comportamento deve estar associado a idade em que a criança precisa chupar ou sugar para obtenção de alimento, pois quando continua fazendo em idade mais avançada passa a ser prejudicial para uma série de fatores do seu desenvolvimento, como linguagem, fortalecimento da estrutura facial, comportamentos infantis e imaturos para sua idade, o que pode trazer problemas emocionais inesperados.

Jung considera esses comportamentos como colocar o dedo na boca, roer unhas, futucar o nariz e os ouvidos, por exemplo, de maus hábitos da criança em crescimento, que podem ser considerados como estágios prévios à masturbação ou atos semelhantes antes da fase de amadurecimento, tratando-se de todos como atos para obtenção de prazer no próprio corpo.

Ampliando podemos pensar quais são os prazeres que essa criança busca, o que realmente necessita nesse momento? Nem sempre esses comportamentos podem estar associados ao estágio prévio do início da sexualidade, mas também já indicar questões relacionadas às emoções, como ansiedade, imaturidade e má conduta social, o que vai deve ser cuidadosamente observado e levado em consideração pelos responsáveis, buscando uma orientação de um especialista em lidar com as questões emocionais e desenvolvimento infantil.

Há um momento em que a criança faz descobertas do próprio corpo, sendo saudável desde que haja respeito pelo que sente e não incentivo por atitudes e comportamentos obscenos. Tudo tem o seu tempo certo de acontecer e nesse momento basta entender as descobertas da criança sem podar o instinto de prazer e punir por algumas sensações que possam vir buscar com o próprio corpo, lembrando que são estágios prévios a sexualidade e precisam ser cuidados e não reprimidos.

Temos um parâmetro do desenvolvimento infantil dos momentos esperados para rolar, sentar, engatinhar, andar, falar, controlar os esfíncteres, e assim por diante, quando algo sai do esperado, considerando uma margem de seis meses aproximadamente para menos e para mais para acontecer, é necessário um olhar diferenciado, atendo, e cuidadoso, para que possa acolher a criança em sua real necessidade e consequentemente se desenvolver de maneira saudável nas questões físicas, sociais e emocionais.

A sexualidade infantil é um assunto ainda muito delicado que gera nos adultos certa insegurança para lidar com a criança. A dica é tratar com naturalidade, como parte do desenvolvimento, afinal é saudável e natural passar. Buscar orientação no caso de dúvida para poder orientar é o melhor a se fazer. Da mesma maneira que temos acesso a muitas informações virtuais, as crianças e pré adolescentes também. Cuide desse universo, ainda tem informações e orientações que são melhores acontecerem em casa, respeitando tempo, valores e as reais necessidades daquele momento.

 

Aline Souza Costa

Pedagoga/ Neuropsicopedagoga Clínica

Psicoterapeuta e Arteterapeuta Junguiana

 

 

Referência: JUNG, Carl Gustav. Freud e a Psicanálise. 7 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013

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