O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E A PSICOLOGIA JUNGUIANA

Como proposta do nosso grupo de estudos de Jung, textos serão criados a partir das leituras e debates realizadas para cada obra trabalhada, iremos sintetizar as discussões em textos, para poder expressar nossos avanços de estudos tanto para a comunidade acadêmica que nos cerca, e assim quem sabe, conseguir novos membros, quanto para nossos clientes e seus parentes compreenderem em que ideias e teorias parte de nossa equipe se baseia, podendo assim conter algumas “dicas” e sugestões, vindas da teoria, de como lidar com situações do dia a dia.
A partir dessa abertura, a obra que será discutida neste texto é o capitulo “O desenvolvimento da criança e a psicologia” que se encontra no guia das obras completas de Jung, escrito por Robert H. Hopcke (guia este com o intuito de resumir conceitos importantes da teoria Junguiana e oferecer uma lista de obras dentro da coleção das obras completas para estudar determinados temas).
A principal ideia neste resumo, é de que Jung concebe a mente infantil, principalmente aquela muito jovem, como um mar de inconsciente e suas consequências. Esse “mar de inconsciente” acaba sendo uma metáfora, um “como que” dado o fato de que esse inconsciente é tanto imensamente profundo, quanto largo, sem poder se ver realmente até onde ele se estende. Porém, conseguimos ver claramente as “ilhas” que se formam neste mar, principalmente ao tratamos de crianças, suas pequenas percepções formadas a partir do mundo real, o início de suas noções sobre si mesmas e até esboços de conceitos mais avançados como “família” que aos poucos se tornam territórios sólidos no meio de um mar de incerteza, aos poucos eles se juntam para formar uma noção mais consistente de si e dos outros, formando assim o que chamamos de “Ego”, que representa tanto a noção que cada um temos de si mesmo, quanto o centro da consciência, a partir dele que podemos nos tornar mais conscientes de nós mesmos e de tudo o que nos cerca.
Porém, até que esse território se estabeleça, os jovens estão conectados a todos os dados inconscientes que os cercam, assim surge a afirmação de que uma criança não possui seus próprios problemas, mas sim acaba sendo um espelho do ambiente que a cerca. O que queremos dizer é que sintomas apresentados por crianças tendem a ser uma metáfora da condição inconsciente dos ambientes nos quais elas convivem, por isso acaba por ser tão comum no atendimento psicológico infantil que os pais sejam chamados em um momento ou outro para realizar suas próprias terapias, ou pelo menos, algum tipo de acompanhamento junto ao atendimento da criança. Contudo, além de refletir sua família ou um ambiente com o mesmo papel, uma criança acaba tendo essa mesma percepção do inconsciente de todos os cenários que a cercam, absorvendo assim o drama da escola em que estuda ou até de algum parquinho que passe muito tempo, porém, não de forma que consiga elaborar racionalmente, visto que isso depende da consciência que ainda está se formando.
Por fim, boa parte da teoria Junguiana se baseia na existência de um “inconsciente coletivo”, tanto da humanidade ao todo, quanto de comunidades menores, como a de uma família ou afins, isto é, onde há uma concentração de humanos, há uma ligação, como se fosse uma rede, de seus inconscientes, transmitindo em algum nível certas informações. Logo, se consideramos que a criança consegue “captar” involuntariamente informações dos grupos menores com os quais convive, devemos considerar também que estão mais próximas do tal “inconsciente coletivo” que representa a humanidade como um todo, portanto, é perceptível como as grandes imagens, as tais chamadas de arquétipos, influenciam a vida infantil, por exemplo as histórias de heróis, as aventuras de reis, fadas e diversos personagens do tipo que encantam a criança justamente por serem portadoras da projeção de grandes imagens que ainda não conseguem ser processadas adequadamente.
Vemos assim, a formação do consciente via um mecanismo que leva a uma recapitulação da história da humanidade na vida de cada criança, Jung fala sobre como vivemos todas as fazes de evolução psicológica da raça humana enquanto crescemos, assim, pode se considerar que a mente de um recém-nascido acaba por não ser tão diferente daquela de um humano da pré-história, e cresce passando pelos outros períodos, como a idade clássica, o renascimento, etc. até que se chegue no momento presente, isso fica claro ao se observar a estrutura escolar, onde o conhecimento adquirido pela humanidade é ensinado de forma progressiva, sendo levado em conta inclusive que tipo de conteúdo cada faixa etária é capaz de compreender, contudo, este mecanismo não é “automático”, ele precisa ser incitado de alguma forma, assim podemos ver uma segunda função da educação formal, aquela que não é dada só em instituições de ensino, mas em todos os ambientes nos quais uma criança convive, incluso o familiar, a consciência precisa ser estimulada enquanto vamos crescendo para que possamos nos tornar membros da civilização humana, pode-se inclusive dizer que as crianças que não passam por este processo “civilizatório” são mais próximas de animais irracionais do que de humanos, já que vivem na base do inconsciente e do instinto.
Alex Fernandes Nunes
Psicólogo Junguiano
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