Rotina para a criança

É importante sempre manter uma rotina com as crianças, até mesmo nesse momento em casa. Horário para dormir, acordar, tomar banho e fazer as refeições são os primeiros cuidados. Depois podemos pensar em momentos para ver desenho, brincar livremente e fazer alguma brincadeira ou “atividade” dirigida, como jogo de tabuleiro ou cartas.

Colocar a criança fazendo parte de atividades da casa, como ajudar na cozinha em uma receita, ligar a máquina de lavar, ajudar a colocar roupa no varal, colocar comida para um bichinho de estimação…, também lhe trará benefícios. Ela se sentirá parte dessa rotina, terá um incentivo para o desenvolvimento motor e para assumir pequenas responsabilidades.

A rotina irá ajudar a criança a se organizar lhe trazendo segurança emocional e excelentes benefícios no desenvolvimento cognitivo, como a compreensão de sequência lógica, que amplia para orientação temporal, facilidade para entender e criar histórias, por exemplo. São pequenas coisas do dia a dia que podemos fazer com a criança naturalmente e contribuir imensamente em seu desenvolvimento.

Vamos aproveitar e tirar o melhor desse momento juntos!

Aline Souza – Neuropsicopedagoga e Arteterapeuta

Um pouco do desenho infantil

O desenho é o início da construção da linguagem escrita que nos levará a comunicação. Uma linguagem não verbal da criança que nos aponta o seu ritmo biológico, maturidade emocional, cognitiva, aspectos instintivos e afetivos que reagem no comportamento.  

Desde a garatuja as crianças se expressam e deixam informações em suas produções, a criança afina a percepção da realidade. 

Na educação infantil as produções da criança devem ser apreciadas em seu justo valor, sem desmerecer e se desfazer rapidamente daquele trabalho e nem se estender para elogios demasiados, que podem expressar um excesso de proteção mais que a consciência educativa.

Quanto a evolução do grafismo, é necessário considerar certos conceitos como a coordenação visomotora, a motricidade, a percepção espacial, a lateralidade, a função simbólica e a linguagem. A criança para iniciar a expressão através do grafismo precisa de maturação do sistema nervoso que permite a evolução da coordenação motora. Podemos perceber algumas etapas: 

– Nas garatujas vemos “rabiscos” que geralmente são com movimentos amplos que se prolongam de um lado para o outro com algumas linhas curvas. 

– Em seguida a criança passar a ter consciência dos seus gestos, percebe o que ficou no papel com o seu movimento, o olho segue a mão e passa a desenhar com intenção. O controle vai se aperfeiçoando e melhorando a qualidade dos traços.

– A partir de 2 anos e meio aproximadamente, a criança torna-se capaz de pronunciar a sua expressão gráfica, definir e limitar o espaço para desenhar de acordo com as bordas do papel, realizar traços que se interrompem, fazer círculos, diferenciar tamanhos, fazer uma quantidade de desenhos e associar, por exemplo, com objetos, pessoas e animais. 

– Com 3 e 4 anos a criança irá representar formas e figuras, compreendendo que quanto mais se parecer com a realidade, melhor será interpretado. Ao desenhar uma personagem, detalhes vão aparecer conforme o esquema corporal elaborado pela criança, irá nos mostrar a percepção de si mesma. 

Ao desenhar a criança transmite mensagens importantes como o modo que se apresenta, a maneira que segura o lápis, o espaço que ocupa, o ponto de início, a pressão, o traço e as cores que utiliza.  

Rapidamente o desenho vai se aperfeiçoando e permitindo a compreensão do que a criança quer dizer a respeito dos seus pais, da sua família, do seu crescimento, e sobretudo, da sua maneira de relaciona-se com o mundo. 

É importante estimular a expressão através do desenho e observá-lo sempre. 

Aline Souza – Neuropsicopedagoga e Arteterapeuta

Referência: Garatujas, rabiscos e desenhos.  A linguagem secreta das crianças/ Evi Crotti e Alberto Magni. Editora Isis, 2011. 

22 de abril – dia do arteterapeuta

Cuidados para a saúde mental em tempos de crise

Nesses tempos conturbados, temos dois problemas principais na saúde psíquica: o primeiro é o isolamento em si e o segundo, a falta de estrutura no dia a dia. Para o primeiro caso, é recomendado que se mantenha contato com amigos e familiares, de forma que não seja presencial. Para aqueles que gostam de contato mais próximo, uma chamada em vídeo pelo WhatsApp seria um bom exemplo. No segundo caso, é devido a falta de uma rotina ou perspectiva. Dessa forma é muito importante manter uma rotina, principalmente para quem trabalha em home office. Atividades virtuais seriam uma boa opção pois não sabemos o quanto essa quarentena irá durar.

Alex Fernandes Nunes – Psicólogo especialista em Psicologia Analítica

A tesoura e a psicomotricidade infantil

ANa educação infantil, a partir de 2 anos e meio a criança já pode começar a manusear uma tesoura escolar, sempre supervisionada por um adulto. Porém, é necessário que esse aprendizado seja realizado de forma gradual e respeitando  os limites de cada um.  Nesta fase, o uso da tesoura contribui com o desenvolvimento cognitivo e motor da criança, sendo que o uso da mesma envolve a consciência corporal,coordenação motora, estabilidade postural, percepção visual, coordenação visomotora, integração bilateral, orientação espacial e força muscular que quando bem estimulados contribuem para uma boa evolução acadêmica. 

Então, vamos incluir a tesoura nas mais diversas atividades educativas?

Sirlei A. de Freitas / Pedagoga, Psicopedagoga e Psicomotricista Educacional

Saiba mais:

– Coordenação motorarelaciona-se com a nossa capacidade de realizar movimentos articulados como pular, pintar, escrever, correr e outros.

– Estabilidade postural: é a capacidade de manter o corpo em equilíbrio, estando o corpo em situações de repouso ou em movimento estável.

– Percepção visual: os nossos olhos recebem informações quando olhamos para um local, pessoa ou objeto. O resultado dessa informação interpretada e recebida pelo cérebro é o que chamamos de percepção visual

– Coordenação visomotora: consiste no controle do movimento dos olhos para alguma direção em relação ao movimento das mãos e do corpo em tarefas funcionais. Contribui para o processo de aprendizagem, já que para aprender e fixar a grafia é indispensável que a criança tenha a coordenação olho-mão plenamente desenvolvida.

– Integração bilateral: é a capacidade de utilizar ambos os lados do corpo (inclui membros superiores, inferiores e os olhos) de forma coordenada e harmônica. Ela está presente no amarrar os cadarços, usar o garfo e faca, cortar com tesoura, vestir-se, abotoar-se, abrir e fechar o zíper, caminhar; praticar esportes (futebol, natação, vôlei, entre outras).

– Orientação espacial: É a tomada de consciência da situação de seu próprio corpo em um meio ambiente.

– Consciência corporal: é a capacidade de uma pessoa em conhecer o seu próprio corpo, como ele funciona e quais são suas limitações e condições físicas, tanto interna como externamente.

– Força muscular: Quantidade de tensão que um músculo ou grupamento muscular pode gerar dentro de um padrão específico e com determinada velocidade de movimento.

Referências: Portal Educação, Cognifit Metodologia e Referências Científicas Neurosaber, Borghie T; Pantano T. Protocolo de Observação Psicomotora (POP-TT) Pulso Editora 2010

APRAXIA

Apraxia é uma dificuldade na realização de movimentos complexos, estando mantidas as vias motoras e as atividades intelectuais. O paciente tem plena consciência do ato a ser realizado, não há problemas gnósicos (perceptuais), de atenção ou rebaixamento de inteligência significativa. 

Apraxia construtiva é a dificuldade na execução de gestos ou tarefas orientadas no espaço segundo um sistema de coordenadas, como por exemplo, em provas de orientação direita e esquerda ou na realização de quebra-cabeças, e é decorrente de lesões nas áreas terciárias do córtex perieto-têmporo-occipital.

Apraxia motora, que é decorrente de lesões nas áreas secundárias dos lobos frontal e parietal, que são áreas de associação justapostas às áreas primárias dos respectivos lobos. É subdividida em dois grupos: Apraxia eferente e aferente.

A Apraxia Eferente, decorrente de lesão na área secundária frontal (área 6 de Brodmam), que resultaria em dificuldade na ¨passagem suave de um elemento motor para outro¨, dando uma perda da ¨melodia cinètica¨ do movimento e que pode se manifestar nos membros superiores, e se afetar os movimentos motores acarretará em Afasia Motora Eferente (Afasia de Broca). 

A Apraxia Motora Aferente causada por lesão na área secundária parietal, área 5 e partes das áreas 7 e 40 de Broadmann, resultaria em ¨prejuízo das sínteses aferentes¨ necessárias, com conseqüente dificuldade na execução de movimentos diferentes e perda da fineza e precisão manifestada quer em membros superiores, quer nos movimentos articulatórios, com dificuldade na realização de articulemas semelhantes, resultando numa Afasia Motora Aferente.

                                                                       Fga Vanessa Netti Ortega Antochiw

                                                                                                         CRFa 2-7138

Criatividade e Transformação

Somos pessoas criativas, temos essa possibilidade desde o nascimento. A criatividade se manifesta de maneira diferente em cada um de nós.  Por vezes, durante o desenvolvimento, as crianças são tão julgadas e criticadas, com preocupações estéticas, que acabam por se convencer de que não criam coisas interessantes, preferem copiar ou receber pronto. 

A criatividade promove a saúde emocional do ser humano e como sabemos no mundo em que vivemos, cada vez mais mergulhados em altas tecnologias, diversões eletrônicas e relações virtuais, torna-se comum que as crianças passem horas com essas distrações, com seus corpos imobilizados, falando mal, escrevendo mal, criando pouco ou quase nada. Assim não têm a oportunidade de criar e cuidar das emoções, tornando-se cópias uma das outras, perdendo a autoreferência e a própria essência.  A arteterapia, nestes aspectos, pode ser transformadora. 

Para Fayga Ostrower, crescer, saber de si, descobrir seu potencial e realizá-lo: é uma necessidade interna. É algo tão profundo, tão nas entranhas do ser, que a pessoa nem saberia explicar o que é, mas sente que existe nela e está buscando-o o tempo todo e das mais variadas maneiras, a fim de poder identificar-se na identificação de suas potencialidades. No entanto, é só ao logo do viver que estas potencialidades se dão a conhecer. (…) então, é preciso viver para poder criar. 

Ao pintar, desenhar, modelar, a criança se encontra diante de múltiplas possibilidades criativas, explorando os materiais, o que se constitui em uma atividade enriquecedora, que combina e aguça todos os sentidos. Irá entrar em contato com o material, experimentar, tentar, ousar e vivenciar. 

Acompanhar esse processo possibilitará que a experiência seja segura, estimulando a criança, aceitando suas produções sem julgamentos de natureza estética, sem apontar erros ou equívocos, pois aquela é a sua possibilidade de registro afetivo, de externalização de seu mundo interior.  

Estimule a criatividade! Experimente e Transforme! Faça Arteterapia!

Aline Souza Costa Arteterapeuta