Projeto minha Boneca de Pano

“Projeto minha Boneca de pano” iniciou com a história da “Bambolina”, ouviram e conversaram com a boneca. Surgiu a ideia de cada uma ter a sua boneca. Iniciamos a confecção: riscar o molde, cortar, costurar, encher, desenhar o rosto, colocar o cabelo, roupa e está pronta!

Foram momentos maravilhosos!

 

Sexualidade infantil

Num grupo de estudo de Jung em que participo, abrimos a discussão acerca da sexualidade infantil e para fundamentar usamos o texto “A teoria da sexualidade infantil” do livro: Freud e a Psicanálise de C.G. Jung.

Muito ouvimos falar da teoria de Freud, dos comentários e senso comum como Freud explica, ou de coisas que acontecem ou são expressadas pela pessoa em que a explicação é o excesso ou falta da sexualidade. Quando veem aqueles desenhos feitos por crianças, numa visão freudiana levam interpretações fálicas e por sua vez ligadas às questões sexuais, enfim, Freud coloca os prazeres infantis como impulsos da sexualidade.

Para Jung as funções psicológicas acerca da teoria da sexualidade infantil estão relacionadas aos fenômenos fisiológicos do ser humano. A sexualidade já existe desde o começo (ab ovo) e só se manifesta muito tempo depois da vida extrauterina.

Acredita-se que o instinto de conservação da espécie ou impulsos da sexualidade, comece a se desenvolver nos primeiros anos da infância, junto com os órgãos de reprodução, função fisiológica, sem que ainda perceba a futura função. Assim, pode-se dizer que o desenvolvimento da sexualidade, a descoberta, o momento em que se aflora e se vive as primeiras experiências com o corpo não se inicia somente na puberdade como ouvimos dizer.

Diferente de Freud, Jung não considera o prazer de nutrição como função sexual, isso pode ser visto pela projeção do adulto para a criança. O ato de chupar da criança lhe dá prazer, mas não necessariamente pertence à esfera sexual e sim mais uma vez ao prazer de nutrição, que lhe pertencem a forma e o lugar em que se tem o prazer.

Esse tipo de comportamento deve estar associado a idade em que a criança precisa chupar ou sugar para obtenção de alimento, pois quando continua fazendo em idade mais avançada passa a ser prejudicial para uma série de fatores do seu desenvolvimento, como linguagem, fortalecimento da estrutura facial, comportamentos infantis e imaturos para sua idade, o que pode trazer problemas emocionais inesperados.

Jung considera esses comportamentos como colocar o dedo na boca, roer unhas, futucar o nariz e os ouvidos, por exemplo, de maus hábitos da criança em crescimento, que podem ser considerados como estágios prévios à masturbação ou atos semelhantes antes da fase de amadurecimento, tratando-se de todos como atos para obtenção de prazer no próprio corpo.

Ampliando podemos pensar quais são os prazeres que essa criança busca, o que realmente necessita nesse momento? Nem sempre esses comportamentos podem estar associados ao estágio prévio do início da sexualidade, mas também já indicar questões relacionadas às emoções, como ansiedade, imaturidade e má conduta social, o que vai deve ser cuidadosamente observado e levado em consideração pelos responsáveis, buscando uma orientação de um especialista em lidar com as questões emocionais e desenvolvimento infantil.

Há um momento em que a criança faz descobertas do próprio corpo, sendo saudável desde que haja respeito pelo que sente e não incentivo por atitudes e comportamentos obscenos. Tudo tem o seu tempo certo de acontecer e nesse momento basta entender as descobertas da criança sem podar o instinto de prazer e punir por algumas sensações que possam vir buscar com o próprio corpo, lembrando que são estágios prévios a sexualidade e precisam ser cuidados e não reprimidos.

Temos um parâmetro do desenvolvimento infantil dos momentos esperados para rolar, sentar, engatinhar, andar, falar, controlar os esfíncteres, e assim por diante, quando algo sai do esperado, considerando uma margem de seis meses aproximadamente para menos e para mais para acontecer, é necessário um olhar diferenciado, atendo, e cuidadoso, para que possa acolher a criança em sua real necessidade e consequentemente se desenvolver de maneira saudável nas questões físicas, sociais e emocionais.

A sexualidade infantil é um assunto ainda muito delicado que gera nos adultos certa insegurança para lidar com a criança. A dica é tratar com naturalidade, como parte do desenvolvimento, afinal é saudável e natural passar. Buscar orientação no caso de dúvida para poder orientar é o melhor a se fazer. Da mesma maneira que temos acesso a muitas informações virtuais, as crianças e pré adolescentes também. Cuide desse universo, ainda tem informações e orientações que são melhores acontecerem em casa, respeitando tempo, valores e as reais necessidades daquele momento.

 

Aline Souza Costa

Pedagoga/ Neuropsicopedagoga Clínica

Psicoterapeuta e Arteterapeuta Junguiana

 

 

Referência: JUNG, Carl Gustav. Freud e a Psicanálise. 7 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013

A criança frente as telas na era digital

A criança frente as telas na era digital 

Venho observando em minha prática clínica como neuropsicopedagoga e arteterapeuta, que uma das principais queixas das famílias é o tempo exagerado em que seus filhos permanecem diante das telas.

Falar desse assunto é muito importante, visto que é um problema em que as famílias passam todos os dias, buscam solução, porém estão sem ação diante desse mundo digital imenso, que se mostra incontrolável cada vez mais.

O acesso à internet e o tempo em que as crianças se dispõem frente às telas é um assunto urgente para se dar atenção e um novo olhar. Tudo isso prejudica muito mais do que favorece a criança.

Ela perde oportunidade de relação social, de se movimentar e desenvolver a psicomotricidade, prejudica a visão com excesso da luz azul das telas, apresentam dificuldades de aprendizagem, ficam aceleradas com as imagens tornando-se cada vez mais ansiosas, agitadas e recebendo influências na capacidade de reter o foco de atenção e concentrar-se.

Enfim, penso que esse assunto dever ser discutido pelas famílias, escolas e responsáveis, para que reconheçam o que vale ou não a pena frente a tudo o que oferece e se tira da criança com a tecnologia.

Sempre conversamos a respeito da importância de colocar um limite, ou melhor, criar e ensinar bons hábitos digitais, afinal proibir não é o caminho, visto que estamos na era digital onde cada vez mais temos a tecnologia presente em nossas vidas.

Para Kilbey (2018) a melhor hora para criar bons hábitos virtuais e impedir que o tempo de tela se torne uma obsessão é quando a crianças está em “idade latente” (que abrange o período da idade dos quatro aos onze anos aproximadamente). Considero que antes dessa idade a criança não tem necessidade alguma de usar aparelhos eletrônicos.

Após os quatro anos de idade as crianças se tornam mais independentes, já passaram por fases importantes no desenvolvimento como: rolar, engatinhar e andar. Nesse momento os pais deixam de ficar em cima da criança e voltam a se preocupar mais intensamente próximo da adolescência.

Segundo Kilbey, na fase de 4 a 14 anos as crianças estão o tempo todo criando novas vias neurais e isso nos faz pensar da importância do olhar dos pais no desenvolvimento das crianças nesse período, principalmente atentar-se ao tempo de tela e aos impactos que podem ter no desenvolvimento do cérebro.

Enquanto a criança fica diante de uma tela ela perde oportunidades de expandir as habilidades sociais e emocionais que vão precisar para a vida toda.

No próximo texto teremos a reflexão de como as telas afetam nossos filhos.

Aline Souza Costa 

Pedagoga/ Neuropsicopedagoga/ Psicoterapeuta e Arteterapeuta Junguiana

Referência: KELBEY, Elizabeth. Como criar filhos na era digital. São Paulo. Ed. Fontanar, 2018.